quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

colônias

não chove hoje.
não chove ontem.
não chove.
não há lágrimas.
mas hoje, houve choro.
chove dentro.
enxugo.

guardanapos para os corações grandes.
lenços perfumados para os dias úmidos.

domingo, 13 de novembro de 2011

a cidade está menos inocente


 acordei na quinta feira, e o céu estava com sono.
tanta nuvem, tanta fuligem, tanta 'nebbia'. 
ainda não neva
e as pessoas já estão geladas. 
não todas.
muitas ainda secam as tardes sob a luz. 
essa obtusa luz que resta. 
poucas  ainda são luzes aqui. 
resta um frio sólido 
chegando nos olhos das pessoas.
parece que até no verão é assim. 
as pessoas não se olham.
as pessoas riem, as pessoas comem, as pessoas festejam. 
as pessoas não sabem, porém, o que é o 'olhar'. 

temperei a tarde com doçura. 
e assim muitas flores crescem no jardim. 
folhas caem
e as floriculturas se alegram com as muitas vendas.
as pessoas querem comprar perfumes. 
as pessoas querem se encher de  cores. 
as pessoas fumam para viver a plenitude
com o cinza e a fumaça. 
as pessoas se querem e se distanciam. 
as pessoas envelhecem sem lembrar dos nomes dos avós. 
as pessoas se esqueceram do sabor do sal 
e da cor da rosa, rosa. 
as pessoas, deste jardim, ainda procuram por doçura. 

acenei para o destino, e ele não me disse adeus. 
talvez não seja necessário dizer nada. 
ainda existem expectativas 
e não uso um diluidor para vivê-las. 
as pessoas ainda querem viver. 
as pessoas ainda dissimulam seus dias. 
as pessoas teorizam a realidade, 
mas preferem ser ficção. 
as pessoas necessitam de outrem.
as pessoas são incompletas.

construo a necessidade com o que lhe for necessário. 
ou 
construo o necessário conforme a necessidade. 
entre as duas teorias, fico com a mais necessária.
construo, pois, 
com conta gotas
com colheres
com tesouras 
com pregadores de roupas. 
com pessoas.